terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Lisca, ex-técnico do Inter: "Acho que os jogadores não acreditavam mais"

Treinador, que comandou o clube nas três rodadas finais do Brasileirão, lamenta que o time tenha perdido as esperanças antes da rodada final

Lisca, ex-técnico do Inter: "Acho que os jogadores não acreditavam mais" Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS   
 
Sete dias depois do rebaixamento do Inter à Série B, Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o técnico Lisca, de 44 anos, ainda recorda o pouco tempo em que esteve no comando do time profissional. Convocado por Fernando Carvalho para assumir o Inter, Lisca recebeu por missão evitar o descenso do clube à Série B em três jogos. Logo na primeira partida, uma pancada: derrota por 1 a 0 para o Corinthians.

— A derrota para o Corinthians, com um pênalti inexistente, a 15 minutos do segundo tempo... Aquela derrota nos derrubou. Senti que o Inter estava rebaixado ali. Senti que a direção e os jogadores já não acreditavam mais. Tentavam acreditar, mas não conseguiam mais.

Quais são os seus planos a partir de agora?Eu tinha duas situações em vista, antes de receber o convite do Inter. Mas, como optei pelo Inter na época, perdi ambas. Passou. Agora, espero assumir um time de Série B ou de Série A, ainda no primeiro semestre.

Você se arrepende de ter assumido o Inter?Não me arrependo. Não me arrependo mesmo.

Após o jogo do rebaixamento, em Mesquita, você foi aplaudido pela torcida do Inter. A sua carreira não parece ter ficado marcada pelo descenso.Não fiquei marcado. Acho que a torcida e a imprensa sabem que assumi o time já com poucas esperanças. Sempre me disseram que eu havia sido contratado para apenas três jogos (Corinthians, Cruzeiro e Fluminense). Também sabia que a Oposição havia conversado com Milton Mendes e com Antônio Carlos Zago. Fernando Carvalho me disse que eu não teria sequência, pois ele não tinha influência com a nova direção. E acho que mão fui mal. Tive 44% de aproveitamento (uma vitória, um empate e uma derrota), contra 60% do Argel, 13% do Falcão e 36% do Roth (os seus antecessores no Beira-Rio).

Você comentou que, logo após a sua estreia, contra o Corinthians, você sentiu time e direção desesperançosos. Mas o Inter venceu a partida seguinte contra o Cruzeiro e chegou à última rodada com alguma chance...Mas algo se perdeu em meio a isso. Houve a tragédia com a Chapecoense, e a rodada foi adiada. Chego ao vestiário e sou surpreendido com os jogadores me dizendo que não querem mais jogar. Ceará, Alex e Ernando lideraram o movimento. Tentei argumentar, perguntei a eles se tinham noção das consequências daquele ato. E me disseram que sim, que sabiam que se o Inter não jogasse seriam rebaixados e que eles estavam cientes daquilo. Me disseram que estavam conversando com jogadores de outros times e que precisavam se posicionar também.

Você foi surpreendido com essa atitude?Muito. Fiquei espantado. Tanto é que voltei a argumentar sobre as consequências. Mas eles insistiram que queriam expor isso também para a imprensa, que precisavam se posicionar. O meu posicionamento era completamente outro. Era diferente do posicionamento das lideranças do grupo. Mas aceitei, pois era eu contra 30. Então, comuniquei à direção. Os dirigentes estavam cientes do que aconteceria. Acho que essa foi a minha maior surpresa. Nunca havia passado por algo assim antes.

Mas a rodada foi confirmada e apenas Chapecoense e Atlético-MG não ocorreu, com o duplo WO.Exato. E, a partir disso, ainda tínhamos uma semana e meia para trabalhar. Os jogadores disseram, então, que dariam sequência ao trabalho... Mas a mensagem que ficou clara para mim era outra: acho que eles não acreditavam mais.   

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário